“Temei antes aquele que pode perder a alma e o corpo no inferno”

Pelas palavras de Cristo Jesus, ouvir seus ensinamentos e neles acreditar com a obediência da fé é decisivo para a salvação ou a condenação eterna da alma. O homem, perante certas realidades da vida, o que inclui a fé sobrenatural, tem o poder do sim e do não, pode decidir seu caminho, porém não tem o poder de por si mesmo impedir suas consequências determinadas, conforme a ordem objetiva das coisas, para além de qualquer subjetivismo.

Que as boas obras e as más obras são importantes no tema da salvação, as palavras de Cristo assim o dizem: “(…) os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação. De mim mesmo nada posso fazer. Julgo segundo o que ouço (de meu Pai), e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 5,29-30).

Assim, os homens serão julgados com justiça por suas obras – os atos em si, as intenções e as circunstâncias – enquanto há nelas bondade ou maldade moral, como a justiça e a injustiça, a verdade e a mentira, a fé e a incredulidade, a humildade e o orgulho, a obediência e a desobediência, etc. E isto é tão importante que o Salvador disse: “Se não acreditardes que eu sou, morrereis nos vossos pecados” (Jo 8,24) e “Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode perder a alma e o corpo no inferno” (Mt 10,28).

“O mesmo ato, considerado em si, pode possuir múltipla bondade moral”

O filósofo católico Duns Scotus diz: “O mesmo ato, considerado em si, pode possuir múltipla bondade moral; (…) Exemplo: Vou à igreja por justiça, porque estou obrigado por obediência ou por voto; vou também por caridade para com Deus, para rezar ou prestar culto de latria a Deus; e vou por caridade fraterna, para edificar o próximo. Em suma: todo ato bom, seja apenas com bondade moral, seja com bondade meritória ulterior, é tanto melhor quanto mais motivos ordenados de agir concorrem nele. De modo semelhante, em um mesmo ato podem concorrer muitas malícias, tantas quantas forem ditadas pelos elementos opostos que deveria conter”.

Exemplo máximo disso é a vida de Cristo, especialmente em seu perfeito Sacrifício no Calvário, no qual há múltiplas bondades morais, aquelas para com Deus e aquelas para com os homens, tendo como fruto inúmeros bens, sobretudo o sumo bem da vida eterna para a criatura humana, enquanto não rejeita a graça, preferindo bens inferiores, conforme sua falsa sabedoria, no lugar da sabedoria de Deus.

Na Sagrada Escritura é dito: (I) “Porque Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). (II) “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (1Cor 3,19). (III) “Eu amo os que me amam; os que me procuram encontram-me. Comigo estão a riqueza e a honra, os bens duráveis e a justiça” (Pr 8,17–18).

“Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”

No fato da Anunciação, o santo Anjo Gabriel disse à Santíssima Virgem: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível” (Lc 1,35-37). E Maria, a Imaculada, disse em resposta: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38).

Um dos temas da vida humana e da verdadeira religião é o tema do poder e do possível. Na vida do homem, enquanto vida num mundo circundante, numa circunstância concreta, há possibilidades, facilidades, dificuldades e impossibilidades (relativas e absolutas). Por exemplo, invenções tecnológicas tornam possível o que era relativamente impossível ou tornam fácil o que era relativamente difícil. A facilidade e a dificuldade supõem “o poder ser feito” e o “poder fazer”, com seus requisitos. A realidade objetiva é realidade do possível e do poder, e é exigente.

O Beato Duns Scotus, filósofo medieval, diz: “O poder implica maximamente uma relação com o possível (…) O poder, entretanto, poderia ser tomado por aquilo segundo o qual se diz de Deus esta relação com o possível, que acaso é a vontade, pois o princípio de todos os possíveis é absoluto”. Como Deus é Onipotente, princípio de todos os possíveis, para Ele nada é impossível nem difícil, pois basta querer para que aconteça. E assim, depois do sim de Maria Santíssima, aconteceu como Deus quis: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).

Scotus também diz: “(…) Repugna ao conceito do homem que se o conceba como ser irracional e ao conceito de Deus que se o conceba como aplicável a muitos deuses”. Naturalmente há apenas um Deus onipotente. Maria é sua criatura plena de graça, com privilégios singulares de Mãe de Deus, por isso também chamada de “onipotência suplicante”; e assim os católicos rezam:

“Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.”

“Mas então veremos face a face”

O conhecimento que o homem tem do ser é proporcional à sua capacidade natural, dentro de um mínimo e um máximo. Isto vale para o conhecimento de Deus, pois é humanamente que o homem pode ter certa ciência de Deus, o que inclui que naturalmente entendemos a Deus segundo o nosso modo de conhecer e não segundo o modo de ser de Deus. Por exemplo: Deus é simultaneidade absoluta, sem antes nem depois, e nosso conhecimento é discursivo, divido em partes, com antecedente e consequente. Quer dizer: o que em si mesmo é simultâneo por outro é conhecido sucessivamente, e uma coisa não exclui a outra.

Em sua “Suma contra os Gentios”, Santo Tomás diz: “A felicidade última do homem não consiste no conhecimento de Deus pelo qual Deus é conhecido por todos, ou por muitos, segundo um conhecimento confuso; e também não consiste no conhecimento de Deus que se obtém por via demonstrativa nas ciências especulativas; nem no conhecimento vindo da fé, como acima foi demonstrado. Também não é possível ser alcançado nesta vida um conhecimento mais elevado de Deus ao ser conhecido na sua essência, ou, ao menos, pelo conhecimento que se tenha das substâncias separadas chegar a um conhecimento mais aproximado de Deus, segundo foi demonstrado acima. Assim sendo, será preciso colocar a felicidade última em outro conhecimento de Deus, como acima foi provado. Resulta de tudo isso que é impossível que a felicidade última do homem esteja nesta vida. Além disso, o fim último do homem lhe põe termo ao apetite natural e, assim, sendo ele atingido, nada mais se deseja, e se o homem tem ainda algum desejo, é porque não atingiu o fim no qual repousa. Ora, isso é impossível acontecer nesta vida.”

E São Paulo Apóstolo diz: “Agora vemos como por um espelho, de maneira confusa; mas então veremos face a face. Agora conheço em parte; mas então conhecerei plenamente, como também sou conhecido” (1 Coríntios 13,12). “Mas, como está escrito: O que o olho não viu, o ouvido não ouviu, nem subiu ao coração do homem, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Coríntios 2,9).

O princípio de não contradição, a verdade e a verdadeira religião

Qual é o valor do princípio de não contradição? Levando em conta que há concepções equivocadas sobre este princípio, primeiro deve-se considerar como deve ser entendido. Como formulação correta ou enunciado adequado, o princípio diz: “Nada pode ser e não ser simultaneamente sob o mesmo aspecto (ou no mesmo sentido)” ou “É impossível que algo simultaneamente seja e não seja sob o mesmo aspecto”. Assim, por exemplo, não pode haver um círculo quadrado nem uma madeira de ferro. Como algo que vale antes de tudo e sempre para o ser, para os entes, este é o seu significado ontológico ou metafísico. E, porque é um princípio do ser, é também princípio da razão humana. Em sentido lógico, pode ser assim formulado: “É impossível afirmar e negar o mesmo de algo sob o mesmo aspecto e simultaneamente”.

Quanto à sua importância, possui valor ontológico de coisa necessária, como necessidade absoluta para toda a realidade, uma lei do real e da mente, essencial no ser enquanto tal. Neste sentido, é uma verdade fundamental, elementar, que brilha como algo evidente, pressuposto em todas as coisas captadas pelo homem, em todos os juízos humanos; deve ser reconhecido como verdade absolutamente certa, enquanto corresponde a algo essencialmente necessário, de máxima extensão no ser, um fundamento cuja negação equivale à morte intelectual, à loucura, ao niilismo.

Além disso, deve ser reconhecido como racionalmente inegável, por pelo menos duas razões apodíticas: (I) não pode ser negado sem ser afirmado, pois é suposição inevitável de qualquer negação com sentido, que inclui sempre determinação (da própria negação, dela como diferente da afirmação, e delas como diferente da coisa negada ou afirmada); (II) sem este princípio, nada seria propriamente, nada seria conhecido propriamente e nada poderia ser dito propriamente.

O princípio de não contradição é ele mesmo exemplo de que existe verdade absoluta; e negá-lo, além de ser logicamente impossível e existencialmente inviável, é um mal fonte de males. Por este princípio, em qualquer caso a verdade é uma só, o que inclui a filosofia, a ciência e a religião. Assim, ou Deus existe ou não existe, ou Cristo é Deus ou não é, ou a Igreja Católica é a verdadeira Igreja ou não é, ou há Céu e inferno após a morte ou não há. Foi dito: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6).

Concepções errôneas de um ateu presunçoso

Um ateu presunçoso disse: “Só o fato de ser preciso argumentos para provar que Deus existe é prova de que Deus não existe, porque se existisse seria autoevidente”.

Nesse discurso, certamente falso, há confusões, concepções errôneas, suposições falsas e coisas ignoradas. Quando há confusões, deve-se apresentar as devidas distinções. Quando há concepções errôneas, deve-se considerar os conceitos adequados ou concepções corretas. Quando há suposições falsas, deve-se considerar as suposições opostas verdadeiras. Quando há coisas ignoradas, deve-se levá-las em conta na questão (ou ponto) para a qual são relevantes.

Nos temas presentes em tal afirmação, não há, por exemplo, a devida consideração das distinções entre os modos de ser, os modos de existência, os tipos de conhecimento e os tipos de evidência. Quanto aos modos de ser, há, por exemplo, o ser finito e o ser infinito; quanto aos modos de existência, há, por exemplo, o modo de existir de uma árvore e o modo de existir de uma ideologia ou ciência. Quanto ao tipo de conhecimento, há, por exemplo, o empírico e o a priori. Quanto ao tipo de evidência, há, por exemplo, a evidência sensível e a evidência intelectual. A respeito do tema da existência, o filósofo Dietrich von Hildebrand diz: “Primeiramente, temos que advertir que toda questão sobre a existência de um ser implica da nossa parte uma compreensão do gênero de existência que ‘exige’ a essência em questão”.

No caso, o modo como se fala de Deus revela ao mesmo tempo uma concepção errônea de Deus e uma ignorância do conceito adequado de Deus enquanto objeto de demonstração de existência; dito de outro modo, desconsidera o que se entende por Deus, em sentido racional elevadíssimo, de alta cultura intelectual, a exemplo da filosofia escolástica medieval. Isso é importante na questão do modo de existência, dos tipos de conhecimento e dos tipos de evidência. Por exemplo, de Deus não é possível haver evidência sensível, enquanto entendido como puro Espírito, imaterial, onipotente e infinito.

Em síntese: o argumento não procede, é falso, pois supõe que naturalmente o homem poderia ter uma visão evidente de Deus, seja sensível ou intelectual, o que é absolutamente impossível no primeiro caso e relativamente impossível no segundo. Ver a Deus com evidência é ver sua Essência, todo o seu Ser infinito de modo imediato, em sua mesma presença. Para um ser finito, isto é naturalmente impossível. Assim, a devida consideração do argumento em questão inclui levar em conta a natureza das coisas, em suas necessidades, impossibilidades e possibilidades – a natureza da percepção sensível, das coisas sensíveis, a natureza humana, a natureza divina, e assim por diante.

O absoluto e o relativo:“A verdade não é minha, nem sua, para que seja nossa”.

A distinção entre absoluto e relativo é objetiva, enquanto mostrada pelas coisas, com fundamento na realidade, independente da mente humana, que não a cria, mas a descobre.

O absoluto e o relativo se dizem de vários modos. Por oposição ao relativo, absoluto é o “por si mesmo” ou o “em si mesmo”, sem dependência. Há um sentido em que somente Deus é absoluto, enquanto ser necessário por si mesmo, independente de qualquer coisa, e do qual todas as coisas dependem. Deus não é relativamente ser, quer dizer, limitadamente sob este ou aquele aspecto, deste ou daquele modo, mas sim absolutamente ser, o Ser em si mesmo, em sua total perfeição.

A verdade pode ser dita absoluta e relativa, porém sob aspectos distintos. É relativa enquanto corresponde a uma relação entre a mente humana e a realidade, quando há adequação, correspondência, conformidade de uma com relação a outra. E é absoluta enquanto o que é objetivamente verdadeiro, segundo a realidade mesma, independe do sujeito. O que diz a verdade não é o sujeito, mas sim a realidade; e o que é verdade é absolutamente verdadeiro. No caso, verdade absoluta significa verdade objetiva, que exclui o “para”, pois não pode haver verdade que seja para um e não o seja para outro. A verdade é uma só, porque a realidade é uma só, segundo o princípio de não contradição. Santo Agostinho diz: “A verdade não é minha, nem sua, para que seja nossa”.

Maria Santíssima, cheia de graça, recebeu privilégios singulares

A primeira verdade sobre Maria Santíssima é ela ser criatura, portanto obra do Criador. Na relação do Deus Criador com suas criaturas, há sempre a presença de seu Poder onipotente, de sua Sabedoria perfeitíssima e de sua Bondade puríssima. Isto vale para Maria como obra de suas mãos, querida por Ele. Enquanto Mãe de Deus e cheia de graça (Lc 1,28), e assim distinta das demais criaturas, Maria recebeu graças e privilégios singulares, entre os quais sua Imaculada Conceição. Para eles, vale aquela consideração: Deus podia fazer, convinha fazer, e assim quis fazer.

Deus, desde toda a eternidade, em previsão de todos os fatos da história humana, amou Maria enquanto sua Mãe, enquanto Mãe do Verbo Encarnado, do homem-Deus, e é próprio do amor querer e fazer o bem ao ser amado. O Verbo encarnado, Deus com o Pai e o Espírito Santo, amou sua Mãe com amor distinto e total, enchendo-a de graças, como a nenhuma outra criatura.

Para o homem pecador, que não merecia, Deus tanto o amou, a ponto de entregar seu Filho único (Jo 3,16); e quanto mais não amaria sua Mãe, entre outras coisas segundo a sabedoria do seu próprio mandamento, que diz: “Honra teu pai e tua mãe” (Ex 20,12). E quando a Escritura diz que Jesus “lhes era submisso” (Lc 2,51), mostra que isso era de consideração importante. Em Deus não há incoerência nem mediocridade; como é dito: “Meus pensamentos não são os vossos pensamentos” (Is 55,8).

A importância da verdade e a busca amorosa pela sabedoria

Etimologicamente, o nome filosofia significa “amor à sabedoria”. Neste sentido, a filosofia pode ser dita uma busca amorosa pela sabedoria do ser alcançável pela razão humana; é um saber racional das coisas enquanto são — do ser enquanto ser e de cada coisa enquanto é o que é. Noções como a realidade, o inteligível, o essencial, o necessário, o universal, a totalidade e o indubitável lhe são naturais.

Enquanto tal, a filosofia diz respeito a um conhecimento fundamental e fundamentado, nutrido pela evidência — imediata e mediata —, que mostra e demonstra suas verdades, com razões objetivas para certeza absoluta, enquanto acima de qualquer dúvida razoável. Casos exemplares disso são: (I) os primeiros princípios do ser, como o fundamental princípio de não contradição, segundo o qual nada pode ser e não-ser simultaneamente sob o mesmo aspecto; (II) certas verdades metafísicas necessárias, como aquela segundo a qual “nada pode causar a si mesmo”; (III) certas verdades demonstradas a partir de evidências intelectuais inegáveis, como o “dado que há o ser e não o nada, então há eternidade no ser, enquanto algo sem princípio nem fim”; (IV) certas leis de essência, como a lei de que em toda dúvida há aquele que duvida e há coisa duvidada, porque sem tais componentes não é possível haver qualquer dúvida.

Na Sagrada Escritura, São Paulo diz: “A ira de Deus se revela do alto do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que aprisionam a verdade na injustiça. Porque o que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles. Deus lho manifestou. Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua divindade, tornam-se visíveis à inteligência por suas obras.” (Rm 1,18–20)

O filósofo espanhol Barrio Maestre diz: “Se o ser humano é um ser racional, e a razão é a capacidade de conhecer, e conhecer, por sua vez, é reconhecer o que as coisas verdadeiramente são, então a verdade não pode ser má — como parece a alguns «intelectuais» que pretendem que ela tenha sido a grande desculpa dos violentos para cometerem barbáries. A verdade é um bem humano de imensa categoria. Há outras coisas muito importantes, mas a verdade é importantíssima para um ser humano.” (em Para qué la escuela?)

Os dogmas católicos são catolicamente inquestionáveis

Naturalmente, não faz sentido um católico, enquanto tal, questionar um dogma no sentido negativo de colocá-lo em dúvida ou negá-lo. Isso já seria motivo para deixar de ser católico, pois a razão para questionar uma verdade de fé deveria levar a questionar todas, já que significa não confiar na Igreja. Entre as coisas fundamentais em que um fiel deve crer, conforme o Credo dogmático, está a fé na Santa Igreja Católica, o que inclui seu Magistério infalível, que recebeu o poder de ensinar a verdade religiosa sem engano, nas circunstâncias em que a legítima autoridade o exerce com tal intenção.

Questionar o dogma para entendê-lo é um caminho aceitável, embora com seus limites para a mente humana, pois se trata de revelação que excede sua capacidade natural. Porém, questionar colocando em dúvida ou negando não é catolicamente aceitável, por coerência racional. Duvidar significa negar a certeza da verdade aceitando a possibilidade da falsidade. E negar significa afirmar a falsidade. E se um dogma é questionável nesse sentido, todos são questionáveis, logo todos podem ser falsos ou devem ser tomados como falsos.

São Paulo Apóstolo diz: “Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!” (Gálatas 1,8-9).